Olá, livrólicos de plantão!
O destaque de hoje é sobre um livro curto, mas que apresenta uma jornada intensa e profunda pela Rússia revolucionária de 1918. O foco é a obra Golovin, do autor judeu alemão Jakob Wassermann, um dos escritores mais lidos de sua época, mas que enfrentou a censura nazista e teve seus livros proibidos.

Quem foi Jakob Wassermann? O autor foi membro da Academia Prussiana de Artes e conviveu com figuras como Thomas Mann e Rainer Maria Rilke. Suas obras são profundamente influenciadas por sua identidade, o que transparece em toda a sua obra.
A Fuga: A trama de Golovin acompanha Maria de Krüdener, uma mulher de origem alemã, educação austríaca e casada com um senhor de terras russo, Alexandre, que se vê fugindo com seus quatro filhos e três empregados em meio ao caos da Revolução Russa. O que era uma simples busca por notícias de seu marido desaparecido na guerra, transforma-se em uma luta por sua sobrevivência.

A cidade de Tula: O auge da narrativa ocorre no encontro entre Maria e o marinheiro revolucionário Golovin. O que temos aqui é um duelo psicológico no estilo de As Brasas, de Sándor Márai, mas diferente do que foi construído pelo escritor húngaro, Wassermann nos apresenta um embate entre a visão aristocrática de mundo de Maria e a força bruta e ideológica do “novo mundo” representado por Golovin.
Contexto Histórico: O episódio mergulha no dia 17 de maio de 1918, data em que se inicia a história, marcada pelo começo efetivo da Guerra Civil Russa com a revolta da Legião Tcheca. Compreender a importância estratégica de Tula se faz necessário, por ser um entroncamento ferroviário vital para o controle de Moscou.

Por que ler Golovin?
Embora curta, a obra é uma ficção baseada em uma realidade histórica, a qual ainda estava em curso quando o livro foi publicado, em 1920. Trata-se de um texto que desafia o leitor ao explorar a complexa relação do povo russo com sua terra e sua história, bem como um convite à reflexão sobre a natureza humana em tempos de crise.
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E você, já leu Golovin?