Os Contos da Cantuária – Geoffrey Chaucer

Olá, livrólicos de plantão!

Em 2021 produzimos um episódio cheio de informações sobre a Inglaterra do século XIV. Abordamos a obra monumental Os Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer. Mais do que uma coletânea de contos narrados pelos personagens dessa história, um grupo de peregrinos que segue para a Catedral da Cantuária (Canterbury), o livro de Chaucer é um marco para a identidade literária de língua inglesa e um excelente retrato da comédia humana.

Entre a Peste e a Guerra

Escrever no fim de 1300 não era tarefa fácil e Chaucer viveu em um período turbulento, marcado pela Peste Negra e pela Guerra dos Cem Anos. A importância do autor se dá por causa da sua postura inovadora diante do uso do inglês, que não era comum como língua literária, pois a elite escrevia em francês ou em latim. O inglês de Chaucer é conhecido como o inglês médio (ou o dialeto de Londres), que passa a ter uma relevância literária a partir da publicação dos Contos. Sua importância é tal que ele é considerado o “Pai da Poesia Inglesa”, antes de aparecer um certo Bardo para roubar a cena literária.

 

Mural de Ezra Winter – North Reading Room – Library of Congress

 

Ao tratarmos de uma obra tão importante para literatura, não podemos deixar de fora o contexto histórico da peregrinação até a Catedral da Cantuária. O motivo de este lugar ser elevado à condição de ambiente sagrado se dá porque a sua história é marcada por um conflito político-religioso entre Henrique II e o arcebispo Thomas Becket, cujo martírio transformou a catedral em um destino de peregrinação.

 

O Retrato de uma Nação

A obra narra a viagem de cerca de 30 peregrinos de todas as camadas sociais — do nobre cavaleiro ao embriagado vendedor de indulgências — em uma competição de contação de histórias.

São elementos da narrativa de Chaucer um certo realismo social, muito diverso das estruturas comuns das novelas de Cavalaria idealizadas. O autor age como um cronista social, capturando a complexidade, os vícios e a linguagem real do povo inglês.

Por causa desse modo de narrar, dando voz aos diversos grupos sociais, é possível dizer que Chaucer antecipa em séculos a expressão psicológica dos personagens e a complexidade que só veríamos no Renascimento e na Reforma. Sua influência é tão vasta que ele foi o primeiro escritor a ser sepultado no “Canto dos Poetas”, na Abadia de Westminster.

 

Eis aqui o nosso convite para se juntar aos peregrinos da Rádio Caractere!

A obra de Chaucer nos prova que, mesmo 700 anos depois, as motivações humanas — ambição, desejo, fé e humor — permanecem as mesmas.

E você, já conhece essa obra-prima da literatura inglesa?



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