O Conde Negro – Tom Reiss

Olá, livrólicos de plantão!

Em 2018 publicamos um episódio com o objetivo de tratar da biografia de Thomas-Alexandre Dumas, escrita por Tom Reiss, vencedora do Prêmio Pulitzer de biografia em 2013. Mais do que o relato de uma vida, este livro é uma peça fundamental para entendermos as raízes históricas de alguns dos maiores clássicos da literatura francesa do século XIX.

livro narra a vida extraordinária de Thomas-Alexandre Dumas, nascido Thomas-Alexandre Davy de la Pailleterie, pai do célebre escritor Alexandre Dumas, autor de clássicos como O Conde de Monte Cristo, Os Três Mosqueteiros, A Tulipa Negra, A Rainha Margot, Memórias de Garibaldi e muitos outros. Sua trajetória é marcada por contrastes profundos, uma vez que era filho de um nobre francês e de uma mulher negra escravizada em Santo Domingo, à época território haitiano. Pode-se dizer que Dumas viveu no limbo entre a aristocracia e a escravidão.

Retrato feito por Jacques Marchand, final do século XVIII

 

Após mudar-se para a França e viver brevemente como nobre, abdicou do título nobiliárquico do pai, alistando-se como soldado raso e assumindo o sobrenome da mãe, Dumas. Durante a Revolução Francesa, tornou-se o primeiro negro a alcançar os postos mais altos do exército francês. O “Conde Negro” foi um herói militar cujos feitos, como a defesa solitária de uma ponte contra os austríacos, tornaram-se lendários. No entanto, sua estatura moral e física, uma vez que era um homem alto e imponente, gerou rusgas com Napoleão Bonaparte, que via nele um rival em carisma e competência.

Un héros de l’épopée – Le général Dumas au pont de Clausen: ilustração publicada em edição do periódico Petit Journal, em 26 de maio de 1912.

 

Esta biografia nos ajuda a compreender o contexto da produção literária do século XIX na França, especialmente a obra de Alexandre Dumas. Observa-se que a figura do pai inspirou o grande escritor na construção de personagens de O Conde de Monte Cristo. Edmond Dantés, por exemplo, tem seu quinhão biográfico quando se leva em consideração a prisão injusta do General Dumas em Nápoles onde, esquecido pelo governo francês, definhou na masmorra por dois anos. Outra inspiração clara consta em algumas descrições psicológicas e físicas do personagem Maximilien Morrel, cujos atributos eram os mesmos do pai do dramaturgo Alexandre Dumas. Além disso, o debate levantado por Tom Reiss destaca que a obsessão dos personagens de Alexandre Dumas pela memória e pela justiça, como em Os Três Mosqueteiros é, na verdade, um tributo do filho ao pai injustiçado.

A vida de Thomas-Alexandre Dumas pode ser comparada a um épico por conta de sua bravura, da traição sofrida e da resiliência que, impregnada na obra de seu filho, moldou o imaginário de gerações.

Em nossa leitura detalhada de O Conde de Monte Cristo fazemos, com frequência, referência a esta obra, pois ela nos ajuda a compreender a importância da figura do General Dumas para o escritor Alexandre Dumas. Portanto, uma biografia recomendadíssima.


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Retrato equestre do General Dumas – Musée Alexandre Dumas, Villers-Cotterêts.

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