O Violino de Cremona – E. T. A. Hoffmann

Nada nos prepara, enquanto leitores, para o destino de Antonia, uma bela jovem cuja voz é quase uma experiência divina. Ela está sob os cuidados do conselheiro Krespel, um homem excêntrico e ao mesmo tempo muito respeitado pelas autoridades dos reinos que viriam a se tornar a Alemanha. O conto do escritor romântico Ernest Theodor Amadeus Hoffmann, com publicação em 1818, toma como base a figura real do jurista Johann Bernhard Crespel (1747-1813). A partir dos elementos históricos, o autor constrói uma narrativa de mistério acerca de um personagem cujo comportamento se assemelha tanto ao louco das obras românticas como ao caricato personagem de uma ópera cômica italiana. A história é permeada por referências musicais, uma vez que o violino de Cremona é um dos personagens da trama.

O narrador, Theodor, um jovem estudante de medicina, chega à cidade identificada como H- e passa a frequentar a casa do professor M, que lhe fornece informações interessantes e intrigantes do conselheiro Krespel e sua tutelada Antonia. Com o passar do tempo, o jovem se encanta, a princípio, com uma certa lenda em torno da figura de Antonia, posteriormente, com a própria jovem. O que se sabe é que a moça é impedida de cantar por Krespel, comportamento considerado tirânico pelo jovem emocionado, que, contrariando as orientações do anfitrião, em uma das diversas visitas que faz à casa do conselheiro, tenta levar Antonia ao ato que a fez conhecida de toda a cidade, cantar. Neste momento, o conselheiro demonstra sua insatisfação com o melhor da linguagem, afastando Theodor de sua casa.

Após um tempo longe de H-, o narrador retorna à cidade em um momento crucial para Krespel. A partir dos acontecimentos dramáticos ocorridos com o conselheiro, a narrativa fica mais densa, e temos uma história dentro da história. Vamos nos deparar com o próprio Krespel contando suas desventuras, sendo sua relação com a jovem Antonia revelada, bem como sua conclusão de que finalmente estava livre de um mal inexplicável.

O conto é curto mas repleto de dados importantes sobre as produções musicais e seus autores, os quais foram responsáveis pela construção de uma das mais importantes expressões artísticas da Europa dos séculos XVII, XVIII e XIX.

Uma das conclusões a que chega o teórico russo Mikhail Bakhtin (1981) a respeito do trabalho de Hoffmann é que seus contos se encaixariam numa categoria chamada Sátira Menipeia, cujo contraponto se dá em relação às epopeias e às tragédias. Segundo Bakhtin, “a ‘novela filosófica’ racionalista de Voltaire e o ‘conto filosófico’ romântico de Hoffmann apresentam traços genéricos comuns da menipeia”, por suas características próprias dos gêneros “cômico-sérios”, uma vez que é possível perceber críticas a ideias, posturas mentais e visões de mundo, com narrativas fragmentadas cujas características são a base do que veio a ser chamado posteriormente de romance polifônico.

Para desbravar os segredos do conselheiro Krespel e entender sua postura protetora em relação a Antonia, aperte o play e espreite os pormenores dessa história com a gente!


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Este episódio foi produzido por Suzane e Glenio Madruga.

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Direção e Conteúdo: Suzane Madruga Produção e Edição: Glenio Madruga

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